Ao considerar a troca de um emprego com carteira assinada pelo trabalho como Pessoa Jurídica, é comum que a primeira dúvida surja logo de cara: quanto, de fato, vou receber com o desconto PJ?
É comum acreditar que a remuneração aumenta automaticamente ao virar PJ. E embora isso possa ser verdade, a equação envolve muito mais do que o valor bruto da proposta.
Aqui, vamos apresentar os detalhes que fazem toda a diferença entre o regime CLT e o PJ. Se você quer entender como calcular seu salário, quais são os encargos e como avaliar se essa transição vale mesmo a pena, continue com a gente até o fim!
Quais os descontos que um PJ tem?
Muitos profissionais pensam que, ao atuar como Pessoa Jurídica, os ganhos são automaticamente maiores do que no regime CLT. Mas será que é bem assim?
Para entender o que realmente entra no bolso no final do mês, é preciso conhecer em detalhes quais são os descontos que um PJ tem, alguns detalhes que somente um contador especialistas poderia orientar da melhor forma.
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Mesmo sem holerite, o profissional PJ também precisa lidar com obrigações que reduzem o valor líquido que ele recebe. Esses custos variam de acordo com o tipo de serviço, o regime tributário e o nível de organização do profissional, como:
Impostos sobre o faturamento
O primeiro item que entra no desconto PJ são os tributos pagos mensalmente com base na nota fiscal emitida. Assim, para pessoas que estão pensando em migrar do CLT para o PJ, o Simples Nacional é o modelo recomendado.
Ele possui alíquotas a partir de 6%, podendo chegar a cerca de 19%, dependendo do faturamento e do anexo em que sua atividade se enquadra.
INSS sobre o pró-labore
Se o PJ retira um valor fixo mensal como pró-labore, ele deve contribuir com 11% de INSS sobre esse valor (até o teto). Em alguns casos, pode haver também 20% de contribuição patronal, dependendo do contrato com o tomador do serviço.
Esse custo é obrigatório e impacta diretamente na aposentadoria futura do profissional.
ISS – Imposto Sobre Serviços
Cobrado pelos municípios, o ISS é outro item do desconto PJ. A alíquota varia conforme a cidade e o tipo de serviço prestado, podendo variar de 2% e 5% do valor bruto da nota fiscal.
Reserva para férias e benefícios
Ao contrário do que acontece no regime CLT, quem trabalha como Pessoa Jurídica não tem direito a férias remuneradas, 13º salário, FGTS ou benefícios corporativos. Por isso, todos esses valores precisam ser planejados e provisionados pelo próprio profissional.
Essa é uma parte essencial do desconto PJ e muitas vezes a mais negligenciada por quem está migrando do modelo tradicional para o empreendedorismo individual.
Como calcular um salário PJ?
Ao aceitar uma proposta PJ sem fazer as contas, o profissional corre o risco de receber um valor aparentemente maior, mas que, na prática, resulta em menos poder de compra.
Isso acontece porque, no modelo PJ, todos os custos com impostos e benefícios ficam por conta do prestador de serviço.
A seguir, veja como fazer esse cálculo:
1. Levante todos os valores que você recebe como CLT
Antes de tudo, saiba quanto realmente custa seu salário para a empresa:
Salário bruto mensal;
13º salário (divida por 12);
Férias + 1/3 constitucional (divida por 12);
FGTS (8% do salário);
Benefícios como plano de saúde, vale-refeição, transporte etc.
2. Adicione os custos do modelo PJ
Agora, é hora de incluir no cálculo os custos do desconto PJ, como:
Impostos do Simples Nacional ou outro regime;
Contabilidade;
INSS (pró-labore);
Plano de saúde;
Provisões de férias e 13º;
Reserva financeira e eventuais benefícios extras.
Uma boa prática é considerar uma margem de 20 a 50% sobre o valor bruto PJ como custos operacionais. Isso garante que o valor líquido realmente compense.
3. Use a equivalência CLT x PJ
Para equilibrar as vantagens, o salário bruto para uma contratação PJ precisa ser de 20% a 50% maior que o valor recebido como CLT.
Essa diferença serve para compensar a ausência de benefícios trabalhistas, férias remuneradas, 13º salário, FGTS, e ainda cobrir os impostos e encargos obrigatórios que o profissional passará a assumir sozinho.
Então, a fórmula seria:
Salário CLT total x (1,2 a 1,5) = Salário PJ equivalente
Use 1,2 se você tinha poucos benefícios e quer o mínimo necessário para compensar;
Use 1,5 se o pacote CLT era mais completo (plano de saúde, bônus, auxílio home office etc.).
Quanto eu ganharia se fosse PJ?
Para manter o mesmo padrão de vida que tinha como CLT, o salário bruto como PJ precisa ser de 20% a 50% maior. Mas esse cálculo pode variar conforme os seus benefícios atuais, a sua organização financeira e o tipo de atividade exercida. Por isso, o mais seguro é simular esse valor com base na sua realidade.
E para tornar essa avaliação mais precisa, você pode utilizar a calculadora CLT x PJ da Agilize!
Como calcular salário CLT em PJ?
Utilizando a metodologia que apresentamos, vamos te mostrar um exemplo de como seria o salário de um profissional considerando as vantagens e desconto PJ.
Suponha que um profissional receba R$ 7.000,00 como salário bruto CLT. Ele ainda tem:
R$ 600 de vale-refeição;
R$ 800 de plano de saúde;
R$ 640 de FGTS;
R$ 583,33 (13º dividido por 12);
R$ 777,77 (férias + 1/3 divididas por 12);
Total CLT real: R$ 10.401,10.
Agora, para manter esse padrão como PJ:
R$ 10.401,10 x 1,2 = R$ 12.481,32
R$ 10.401,10 x 1,5 = R$ 15.601,65
Ou seja, qualquer proposta PJ abaixo de R$ 12.500,00 não será equivalente ao seu salário atual, podendo inclusive representar perda de poder de compra, especialmente se os custos forem mal planejados.
Por que PJ ganha mais?
A principal razão está nos custos que as empresas deixam de ter ao contratar um PJ. No regime CLT, além do salário, o empregador precisa arcar com uma série de encargos.
É comum ouvir que profissionais PJ ganham mais do que aqueles contratados via CLT. E, de fato, em muitos casos, o valor bruto oferecido para quem atua como Pessoa Jurídica é mais alto.
Já com o PJ, esses custos desaparecem, e a empresa consegue direcionar parte dessa economia para oferecer uma remuneração bruta maior ao profissional.
Outra vantagem para o contratante é a flexibilidade. Um contrato PJ permite mais liberdade em termos de prazos, entregas e até desligamentos, o que representa menos burocracia e menor risco jurídico.
Por isso, é comum que empresas topem pagar mais por hora ou por projeto, compensando o profissional pela ausência de vínculo empregatício.
Conte com a Agilize!
Se você está pensando em migrar do regime CLT para atuar como PJ, é essencial ter uma estrutura segura para lidar com as obrigações fiscais, contábeis e financeiras.
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