CLT ou PJ: qual a melhor opção para a sua carreira?

clt ou pj, qual é a melhor opção?

A escolha entre ser CLT ou PJ é uma das decisões mais importantes para a sua vida profissional e financeira. Com a flexibilização do mercado de trabalho, o dilema se tornou ainda mais comum: vale a pena abrir um CNPJ ou manter a segurança da carteira assinada?

A verdade é que a resposta não é única e depende muito do seu perfil, dos seus objetivos e da sua área de atuação.

Para tomar a melhor decisão, você precisa entender a fundo as diferenças entre os dois modelos, seus direitos, deveres e, principalmente, o impacto financeiro de cada um. Neste guia vamos desvendar todos os aspectos para que você possa responder à pergunta: afinal, qual é a melhor opção de contratação para a sua carreira? Confira:

  1. O que é CLT?
  2. O que é PJ?
  3. Principais diferenças entre CLT e PJ
  4. Comparativo financeiro: impostos, salário líquido e benefícios
  5. Qual é mais vantajoso, CLT ou PJ?
  6. Qual é a diferença no imposto de renda entre CLT e PJ?
  7. A partir de qual salário compensa ser PJ?
  8. Posso ser CLT e PJ ao mesmo tempo?
  9. Aspectos legais e burocráticos da transição
  10. Planejamento de carreira e estilo de vida
  11. Checklist final – CLT ou PJ: qual escolher?
  12. Perguntas frequentes sobre CLT e PJ

Principais aprendizados que você vai encontrar:

  • Por que a escolha entre CLT e PJ não é sobre “ganhar mais”, mas sobre entender o que realmente é a melhor escolha para o seu momento e objetivos.
  • Em quais cenários a estabilidade da CLT protege sua carreira, e quando ela pode limitar seu crescimento financeiro.
  • Quando o modelo PJ passa a ser vantajoso de verdade e quais custos costumam ser ignorados nessa conta.
  • Quais erros comuns na transição para PJ geram riscos trabalhistas e prejuízos no médio prazo.
  • Como tomar essa decisão de forma estratégica, considerando renda, perfil profissional e estilo de vida.

O que é CLT?

CLT é a sigla para Consolidação das Leis do Trabalho, o regime de contratação mais tradicional do Brasil. Um profissional CLT tem a sua carteira de trabalho assinada e um vínculo empregatício formal com uma empresa.

Essa modalidade de trabalho é marcada pela estabilidade e segurança jurídica. O empregador é responsável por todos os encargos sociais e trabalhistas, o que garante ao profissional direitos como:

  • Férias remuneradas e 13º salário;
  • Recolhimento de FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço);
  • Seguro-desemprego em caso de demissão sem justa causa;
  • Licença maternidade;
  • Aposentadoria pelo INSS e outros.

Em contrapartida, o trabalhador CLT tem deveres como a subordinação hierárquica e o cumprimento de uma carga horária fixa. Essa previsibilidade e segurança são as principais vantagens para quem escolhe essa modalidade.

O que é PJ?

O termo PJ refere-se a Pessoa Jurídica, ou seja, profissionais que precisam abrir um CNPJ para prestar serviços, abrir uma loja, vender produtos etc.

Nesse tipo de regime o profissional não é obrigado a cumprir determinadas regras, como é o caso da CLT. Mesmo assim, em alguns contextos o trabalhador pode ter alguns benefícios legais também.

Para que tenha direito a alguns benefícios, como auxílio-doença, licença maternidade e até mesmo a aposentadoria, é necessário que o profissional PJ pague uma contribuição mensal à Previdência Social. Esse valor varia de acordo com a modalidade empresarial do profissional e o faturamento anual de sua empresa.

Ao optar por esse modelo, o trabalhador precisa abrir um CNPJ e atuar de forma autônoma, emitindo notas fiscais e arcando com suas próprias obrigações tributárias.

O formato PJ costuma atrair profissionais que buscam maior liberdade para negociar seus ganhos e condições de trabalho, além de ser uma opção vantajosa para aqueles que recebem salários mais altos. Alguns exemplos de profissões para atuar como PJ incluem:

Principais diferenças entre CLT e PJ

A principal diferença entre CLT e PJ está no tipo de vínculo e nos benefícios. Enquanto o trabalhador CLT conta com um contrato formal que garante benefícios e estabilidade, o PJ tem mais autonomia e precisa gerenciar seus próprios direitos e deveres.

CLT x PJ: comparação rápida

Ponto de comparaçãoCLTPJ
Tipo de vínculoContrato formal com vínculo empregatícioPrestação de serviço, sem vínculo
Carga horáriaJornada fixa definida por leiSem jornada fixa, foco na entrega
SubordinaçãoSubordinado à hierarquia da empresaRelação entre empresas (cliente x prestador)
PessoalidadeSó a pessoa contratada pode executar o trabalhoPode delegar para outra pessoa ou equipe
FériasGarantidas por lei, com remuneraçãoNão há férias remuneradas
INSSRecolhido pelo empregadorResponsabilidade do próprio PJ
Aviso prévioDireito garantido por leiSó existe se estiver em contrato
AutonomiaBaixaAlta
BenefíciosFGTS, férias, 13º, INSSNão há benefícios automáticos
  • Carga horária: o trabalhador CLT tem carga horária de trabalho definida, enquanto o trabalhador PJ se compromete somente com as entregas, podendo trabalhar no horário que quiser;
  • Subordinação: quem trabalha CLT está subordinado à hierarquia da empresa, ou seja, deve responder a um chefe. Já o prestador de serviço PJ tem a empresa como cliente, e não como chefe;
  • Pessoalidade: na CLT, a própria pessoa contratada deve prestar os serviços contratados. No contrato PJ, a empresa pode designar qualquer pessoa para isso, seja ela a titular do CNPJ ou não;
  • Férias: as férias são um direito do trabalhador CLT, mas não do PJ. O que não quer dizer que quem é PJ não pode tirar férias — pode sim, mas isso precisa ser acordado com o cliente, que não é obrigado a remunerar o prestador de serviço pelo período;
  • INSS: é obrigação do empregador recolher mensalmente a contribuição do funcionário com o INSS. Já o trabalhador PJ é o responsável pela sua própria contribuição, que não é obrigatória;
  • Aviso prévio: o trabalhador CLT tem direito ao aviso prévio de 30 dias em caso de demissão sem justa causa, o que não acontece com o PJ, a não ser que isso esteja previsto em contrato.

Comparativo financeiro: impostos, salário líquido e benefícios

A pergunta “compensa ser CLT ou PJ?” tem a ver com o dinheiro que realmente entra no seu bolso. O salário bruto do PJ é geralmente mais alto que o do CLT, mas isso não significa que o salário líquido também será.

Para um salário PJ de R$ 10.000, por exemplo, o salário CLT para a mesma função poderia ser R$ 7.000. No CLT, o empregador paga o 13º, férias, FGTS, INSS patronal, entre outros custos, o que aumenta o custo da contratação em cerca de 70% sobre o salário.

Já o profissional PJ tem que cuidar de tudo isso. O salário de R$ 10.000 precisa cobrir os impostos da PJ (que podem ser mais baixos em um regime como o Simples Nacional), a sua própria contribuição ao INSS, um plano de saúde e uma reserva para férias.

A diferença no imposto de renda entre CLT e PJ também é enorme. No CLT o imposto é descontado pela tabela progressiva, podendo chegar a uma alíquota de 27,5% sobre o salário.

Como PJ, os impostos são calculados sobre a receita bruta, em regimes que podem ter alíquotas iniciais de 6% (no Simples Nacional), o que gera uma grande economia.

A partir de qual salário compensa ser PJ?

Não existe uma regra exata, mas um valor comumente usado como referência é que o salário bruto do PJ precisa ser, no mínimo, 30% maior do que o salário bruto do CLT para que o valor líquido (após impostos e custos com benefícios) se equipare.

Em muitos casos o salário PJ precisa ser 50% ou até 100% maior para compensar de verdade a falta de benefícios.

Para te ajudar a entender essa diferença, a Agilize oferece uma Calculadora CLT x PJ. Com ela você simula o seu salário e compara o quanto você receberia em cada regime, já descontando impostos e outros custos.

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É a forma mais simples de descobrir a partir de qual salário PJ compensa para a sua realidade.

Qual é mais vantajoso, CLT ou PJ?

A decisão entre CLT ou PJ é muito pessoal. As duas opções são vantajosas para diferentes perfis de profissionais e momentos de carreira.

Para quem busca estabilidade

Se a segurança de um salário fixo, os benefícios e a previsibilidade de uma carreira tradicional são o que você procura, a CLT é a melhor opção. Na prática, isso significa receber todo mês o mesmo valor, ter férias e 13º garantidos e não precisar se preocupar com impostos ou burocracias no dia a dia.

Para quem busca autonomia e potencial de ganhos

O modelo PJ é ideal para o profissional que valoriza a liberdade de escolher seus projetos e horários, e que tem uma visão empreendedora sobre a carreira. Na prática, você pode trabalhar com mais de um cliente, organizar sua rotina e aumentar seus ganhos conforme a demanda, assumindo também a gestão da própria renda e obrigações.

É fundamental que você avalie o seu perfil e as suas prioridades para tomar a melhor decisão. Lembre-se que o modelo PJ, embora mais lucrativo, exige disciplina, autogestão e o apoio de uma contabilidade especializada para ter sucesso.

Posso ser CLT e PJ ao mesmo tempo?

SSim, você pode ser CLT e PJ ao mesmo tempo! Não existe nada na legislação brasileira que proíba essa dupla atuação. No entanto, é preciso ter atenção a algumas regras para não ter problemas:

Evite a pejotização

A pejotização ocorre quando um profissional PJ tem um vínculo de subordinação, pessoalidade e carga horária fixa, como se fosse um CLT.

Isso é considerado fraude trabalhista e pode levar a processos judiciais. Para evitar, a relação PJ deve ser de prestação de serviço, sem subordinação.

Não concorrência

Verifique se o seu contrato CLT tem uma cláusula de não concorrência, que proíbe o funcionário de atuar no mesmo ramo de atividade de forma autônoma.

Horário de trabalho

Como CLT você tem o dever de cumprir a sua jornada de trabalho. Não é permitido exercer atividades como PJ durante o horário em que você deveria estar à disposição do seu empregador.

Atuar nos dois regimes pode ser uma excelente forma de ter uma renda extra ou de fazer a transição gradual para a carreira PJ, desde que você respeite as regras e evite o risco de ser demitido por justa causa.

Então, não é crime?

Não, não é crime ser CLT e PJ ao mesmo tempo. Você só precisa se atentar às regras estabelecidas pelas leis trabalhistas para não infringir nenhuma delas.

Para que essa atuação aconteça dentro da lei também é preciso seguir algumas condições:

  • O profissional não pode prestar serviço como PJ para a mesma empresa em que atua como CLT;
  • O trabalhador deve cumprir todas as suas obrigações fiscais e tributárias referentes a ambas as atividades.

E, como já falamos, também é importante conhecer as regras da empresa que você trabalha como CLT, pois algumas não permitem que os funcionários atuem como freelancer na mesma área de atuação.

Aspectos legais e burocráticos da transição

A decisão de ser PJ abre um novo universo de responsabilidades. Para garantir que a transição seja tranquila e vantajosa, é crucial entender os aspectos legais e burocráticos.

Como abrir um CNPJ

O processo de abertura de um CNPJ pode parecer burocrático, mas com o roteiro certo, é mais simples do que se imagina. A forma mais rápida e segura de fazer a transição é com o apoio de uma contabilidade especializada, que cuidará de todo o processo para você. Os passos, em geral, são os seguintes:

  • Definição do tipo de CNPJ e do regime tributário: com o apoio de um contador você definirá a natureza jurídica (como a Sociedade Limitada Unipessoal – SLU, ideal para quem atua sozinho) e o regime tributário mais vantajoso (Simples Nacional ou Lucro Presumido).
  • Consulta de viabilidade: o contador fará uma análise prévia para verificar se o nome e o endereço da sua empresa são permitidos.
  • Elaboração e registro do Contrato Social: é o documento que dá vida legal à sua empresa. O contador cuidará da elaboração e do registro na Junta Comercial do seu estado.
  • Emissão do CNPJ: após o registro na Junta, a Receita Federal emite o seu CNPJ.
  • Inscrições e Licenças: o processo se encerra com a Inscrição Municipal e a obtenção do Alvará de Funcionamento, documentos essenciais para a sua operação.

As opções mais comuns para um profissional que atua sozinho são o MEI (para atividades permitidas e faturamento até R$ 81 mil/ano) e a SLU (Sociedade Limitada Unipessoal), que protege o patrimônio pessoal.

Como PJ, além da autonomia, você assume a responsabilidade pela gestão fiscal e contábil do seu negócio, o que envolve:

Obrigações fiscais e contábeis

  • Emissão de notas fiscais: para cada serviço prestado, é necessário emitir nota fiscal, documento que comprova a receita e serve de base para o cálculo dos impostos.
  • Recolhimento de impostos: o próprio PJ calcula e paga tributos como o DAS do Simples Nacional ou as guias de IRPJ e CSLL no Lucro Presumido, conforme o regime tributário escolhido.
  • Entrega de declarações: a empresa também precisa cumprir obrigações periódicas, como a entrega da DEFIS, utilizada para prestar contas ao fisco.

Riscos da pejotização

A pejotização é a principal armadilha do modelo PJ. Se a relação de trabalho tiver características de CLT, o profissional pode entrar com um processo na Justiça para ter o reconhecimento do vínculo empregatício.

Para evitar isso, garanta que a sua relação de PJ seja de prestação de serviço, sem subordinação e com autonomia.

Lidar com todas essas responsabilidades pode parecer intimidador, mas um contador especializado em profissionais PJ pode cuidar de tudo para você, garantindo que sua transição seja segura e vantajosa.

Planejamento de carreira e estilo de vida

A escolha entre CLT ou PJ não é somente sobre dinheiro. Ela impacta diretamente o seu planejamento de carreira e o seu estilo de vida.

Flexibilidade vs. estabilidade

O CLT oferece a segurança e a estabilidade de um emprego fixo, mas com menos flexibilidade. O PJ, por outro lado, oferece a liberdade de gerenciar seus horários, mas a estabilidade depende exclusivamente da sua capacidade de gerar negócios.

Oportunidades de crescimento

Nos dois regimes é possível crescer. No CLT, o crescimento é por meio de promoções e aumento de cargos. No PJ, o crescimento é por meio de novos clientes, projetos maiores e o aumento da sua renda.

Autogestão e disciplina financeira

O profissional PJ precisa ter disciplina para gerenciar as finanças, separar dinheiro para impostos, férias e investimentos. O sucesso como PJ é uma construção que depende da sua disciplina e visão empreendedora.

A decisão de qual é o melhor caminho para a sua carreira deve levar em conta esses fatores, ponderando os prós e contras de cada modelo com base nas suas prioridades e objetivos.

Checklist final: CLT ou PJ, qual escolher?

Para te ajudar a decidir qual regime de trabalho se encaixa melhor no seu perfil confira a seguir um comparativo visual:

CaracterísticaCLT (Consolidaçãodas Leis do Trabalho)PJ (Pessoa Jurídica)
VínculoEmpregatício, comcarteira assinadaPrestação de serviços, semvínculo empregatício
SalárioSalário fixoRemuneração pornota fiscal
Férias e 13ºDireito garantidoPrecisa se planejare guardar dinheiro
FGTS e INSSINSS recolhido peloempregador e FGTSdepositadoINSS de responsabilidadedo profissional (opcional)
ImpostosDescontados na folha de pagamentoPagos por meio de guiasmensais, com regimesmais vantajosos
AutonomiaLimitada porhierarquia e horárioTotal autonomia paragerir horários e clientes
CustosEncargos pagos pelo empregadorImpostos, custos contábeise de operação são desua responsabilidade
RiscoMenor risco, comestabilidade garantidaMaior risco, pois a rendavaria com a demandade trabalho

No fim das contas a tabela comparativa deixa claro o principal dilema: a CLT oferece a segurança de direitos e a estabilidade financeira, enquanto o PJ é o caminho para quem busca maior autonomia e a possibilidade de aumentar significativamente a renda.

A decisão, portanto, não é sobre qual modelo é “melhor” em absoluto, mas sim sobre qual deles se alinha mais com seus objetivos de carreira e estilo de vida, ponderando entre a segurança e o potencial de crescimento.

Perguntas frequentes sobre CLT e PJ

É melhor abrir um CNPJ para receber como PJ ou continuar CLT?

Depende do seu momento e da sua renda. A CLT oferece mais segurança e benefícios garantidos. Já o PJ costuma render um valor líquido maior, mas exige organização com impostos e planejamento financeiro.

Quais benefícios a CLT oferece que o PJ não tem?

Na CLT, você tem direitos como férias remuneradas, 13º salário, FGTS, INSS pago em parte pela empresa e proteção em caso de demissão. Como PJ, esses benefícios não são automáticos.

Preciso pagar impostos como PJ? Quais são eles?

Sim. O PJ paga impostos de acordo com o regime da empresa. No Simples Nacional, o principal é o DAS, que já reúne tributos como IRPJ, CSLL, PIS, Cofins, ISS e INSS patronal.

Posso ter direitos trabalhistas como PJ?

Não. O PJ não tem direitos trabalhistas previstos na CLT. Para ter férias, 13º ou descanso remunerado, é preciso negociar isso em contrato com a empresa contratante.

Como funciona a rescisão em CLT vs PJ?

Na CLT, a rescisão segue regras legais, com aviso prévio, multas e verbas rescisórias. No PJ, tudo depende do que estiver previsto no contrato de prestação de serviços.

O que caracteriza vínculo empregatício se eu for PJ?

Se houver subordinação, jornada fixa, exclusividade, habitualidade e pagamento mensal fixo, pode ser caracterizado vínculo empregatício, mesmo com CNPJ.

A Agilize te ajuda a decidir!

A decisão entre CLT ou PJ é sua, mas não precisa ser feita no escuro. Entender os prós e contras de cada regime, o impacto financeiro de impostos e a burocracia é o que vai te dar a segurança para escolher o caminho certo para sua carreira.

Independentemente da sua escolha, ou se você já é PJ, contar com um suporte contábil especializado é o que vai te dar a tranquilidade para focar no que realmente importa.

A Agilize é pioneira na contabilidade online no Brasil e oferece soluções completas para profissionais PJ que desejam otimizar sua gestão financeira.

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