Você é recém-formado, financiou a faculdade pelo Fies e está com as parcelas em dia, o governo federal acaba de anunciar uma novidade que pode interessar direto ao seu bolso: uma linha de crédito criada especialmente para quem quer abrir ou expandir um negócio.
O FIES Empreendedor foi lançado em junho de 2026 e promete juros bem menores do que as opções tradicionais de crédito para quem empreende. A ideia do governo é simples: transformar o seu histórico de bom pagador em uma porta de entrada para capital mais barato.
Mas quem exatamente tem direito? Quanto é possível financiar? E o que muda para quem já tem uma empresa aberta? Neste guia, você entende cada detalhe já divulgado sobre o programa.
O que você vai aprender neste conteúdo:
- O que é o FIES Empreendedor e por que o governo criou essa linha de crédito.
- Quem tem direito e quais os critérios de adimplência exigidos.
- Os valores, prazos e taxas para pessoa física e pessoa jurídica.
- Se quem tem FIES pode abrir CNPJ e como usar o crédito em uma empresa já existente.
O que é o FIES Empreendedor?
O FIES Empreendedor é uma nova linha de crédito do governo federal voltada a beneficiários adimplentes do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) que querem investir em atividades empreendedoras. O anúncio foi feito no Palácio do Planalto, por meio de Medida Provisória, ao lado de outras medidas de incentivo ao crédito e à adimplência, como o Desenrola Adimplentes.
O programa é destinado a ex-estudantes que já estão na fase de amortização do financiamento estudantil e mantiveram um histórico de pagamento em dia. A proposta é oferecer condições diferenciadas de crédito para apoiar quem quer abrir um negócio do zero ou expandir uma atividade que já existe.
Um ponto importante: o lançamento do FIES Empreendedor não muda em nada as condições do financiamento estudantil já contratado. Quem tem Fies continua obrigado a pagar as parcelas normalmente, já que a nova linha de crédito funciona de forma independente do contrato original.
Segundo o governo, uma parcela relevante dos potenciais beneficiários já possui CNPJ ativo, o que reforça a demanda por recursos para capital de giro e investimento nas próprias empresas.
Como funciona o FIES Empreendedor
As regras do programa foram regulamentadas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e divulgadas pelo Ministério da Educação (MEC). Confira os principais pontos já confirmados:
Início da contratação: o programa passa a valer no dia 10 de agosto de 2026.
Taxa de juros: 0,87% ao mês, o equivalente a aproximadamente 11% ao ano — bem abaixo da média cobrada em linhas de crédito pessoal ou empresarial tradicionais.
Garantia: as operações contam com garantia do Fundo Garantidor de Operações (FGO), que cobre 100% do valor de cada financiamento contratado.
Finalidade dos recursos: o dinheiro deve ser usado para abrir, estruturar ou ampliar um negócio — como investimento em equipamentos, estrutura ou capital de giro.
Instituições financeiras: a contratação deve ocorrer pelos canais oficiais, com Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil entre as instituições participantes.
Para dar uma ideia do impacto da taxa reduzida, o Ministério da Fazenda apresentou uma simulação: um financiamento de R$ 80 mil pago em cinco anos geraria cerca de R$ 26 mil em juros pelo FIES Empreendedor, contra aproximadamente R$ 171 mil em um crédito pessoal não consignado no mesmo período.
Quem tem direito ao FIES Empreendedor
O critério central do programa é a adimplência. Para solicitar o crédito, o beneficiário precisa ter pago, de forma pontual, as últimas 36 parcelas do Fies — ou seja, três anos seguidos sem atraso e sem qualquer renegociação nesse período.
A linha pode ser contratada tanto por pessoa física quanto por pessoa jurídica:
Pessoa física: o próprio beneficiário do Fies solicita o crédito em seu nome.
Pessoa jurídica: a empresa pode contratar o financiamento desde que pelo menos um dos sócios seja beneficiário do Fies e cumpra os critérios de adimplência exigidos.
Segundo estimativas do governo, existem cerca de 500 mil beneficiários adimplentes do Fies no país, mas a expectativa inicial é de que entre 50 mil e 125 mil pessoas consigam contratar a linha logo no início do programa.
Vale destacar também uma condição menos comentada: o beneficiário deve concordar, por escrito, em não usar plataformas de apostas de quota fixa (as chamadas bets) e em manter o CPF bloqueado nessas plataformas pelos seis meses seguintes à contratação do crédito.
FIES Empreendedor não é o mesmo que Desenrola Fies
É comum confundir as duas iniciativas, mas elas têm propósitos diferentes. O Desenrola Fies foi criado para renegociar contratos em atraso, com descontos que podem chegar a 99% para quem está inadimplente.
Já o FIES Empreendedor não prevê perdão, desconto ou renegociação de dívida. Ele é uma linha de crédito nova, destinada exclusivamente a quem já está em dia com o financiamento. Em resumo: quem está atrasado tem o Desenrola Fies como caminho; quem está em dia, agora, tem o FIES Empreendedor como uma porta de entrada para crédito mais barato.
Valores, prazos e condições: pessoa física x pessoa jurídica
As condições de contratação mudam conforme o perfil do solicitante. Veja o comparativo com as informações já divulgadas pelo governo:
Pessoa física: financiamento de até R$ 80 mil, com prazo de pagamento de até 60 meses e carência de até seis meses antes do início das parcelas.
Pessoa jurídica: financiamento de até R$ 180 mil, com prazo de pagamento de até 96 meses e carência de até seis meses (algumas fontes oficiais mencionam a possibilidade de carência estendida para até doze meses nesse caso).
Taxa de juros: 0,87% ao mês para ambas as modalidades, equivalente a algo entre 11% e 11,19% ao ano, conforme a forma de cálculo aplicada.
O período de carência é um respiro importante: ele permite que o empreendedor estruture o negócio, compre equipamentos ou organize a operação antes de começar a pagar as parcelas do financiamento.
Quem tem FIES pode abrir CNPJ?
Sim. Não existe, nas regras do Fies, nenhuma restrição que impeça um beneficiário de abrir uma empresa ou se tornar sócio de um CNPJ. A Receita Federal também não veta a abertura de pessoa jurídica para quem tem financiamento estudantil vinculado ao CPF.
O cuidado que vale a pena ter é outro: durante a fase de estudante, o Fies exige que a renda familiar esteja dentro de determinados limites para a concessão e a manutenção do financiamento. Se a atividade empresarial aumentar a renda familiar acima do permitido, isso pode afetar a permanência no programa enquanto o curso ainda está em andamento.
Já para quem está na fase de amortização — pagando as parcelas após a formatura, que é justamente o público do FIES Empreendedor — abrir um CNPJ não interfere na obrigação de pagar o financiamento estudantil. As duas coisas passam a conviver de forma independente: de um lado, as parcelas do Fies; de outro, a rotina fiscal da empresa.
Por isso, o mais importante ao decidir abrir uma empresa é planejar bem o regime tributário e a estrutura societária com o apoio de um contador, para que o novo CNPJ funcione de forma saudável ao lado do compromisso com o financiamento estudantil.
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FIES Empresas: dá para usar o crédito em um negócio que já existe?
Sim. O FIES Empreendedor não é exclusivo para quem está começando do zero. Pelo contrário: o próprio governo destaca que uma parte significativa dos potenciais beneficiários já tem CNPJ ativo, o que mostra uma demanda real por capital de giro e investimento em negócios já em funcionamento.
Nesse caso, a contratação segue as regras de pessoa jurídica: até R$ 180 mil, com prazo de até 96 meses e carência de até seis meses. Os recursos podem ser direcionados para:
Capital de giro para sustentar a operação no dia a dia.
Compra de equipamentos e maquinário.
Expansão de estrutura, como reforma ou abertura de uma nova unidade.
Investimentos em tecnologia e sistemas de gestão.
Como em qualquer financiamento empresarial, vale simular o impacto das parcelas no fluxo de caixa antes de contratar, considerando o prazo de carência e o momento de maturidade do negócio.
Como solicitar o FIES Empreendedor
O programa começa a valer oficialmente em 10 de agosto de 2026. Até lá, o recomendado é se organizar para chegar preparado. Um roteiro básico:
Confirme se as últimas 36 parcelas do Fies foram pagas em dia, sem qualquer renegociação no período.
Organize um plano simples do negócio: para que o crédito será usado, quanto é necessário e como as parcelas serão pagas no futuro.
A partir da data de início, procure uma das instituições financeiras participantes, como Caixa Econômica Federal ou Banco do Brasil.
Reúna a documentação pessoal e, se for pessoa jurídica, os dados societários da empresa.
Fique atento às comunicações oficiais do Ministério da Educação e do Ministério da Fazenda, já que procedimentos complementares ainda podem ser detalhados.
Um alerta importante: até o momento, a contratação do FIES Empreendedor não é feita por meio de sites como Serasa ou outras plataformas de negociação de dívidas. O caminho oficial é sempre pelas instituições financeiras participantes.
Vale a pena contratar o FIES Empreendedor?
A taxa de juros reduzida e a garantia do FGO tornam o FIES Empreendedor uma opção competitiva em comparação a outras linhas de crédito disponíveis no mercado para quem empreende. Mesmo assim, alguns pontos merecem atenção antes de contratar:
É uma dívida a mais: o financiamento se soma às parcelas do Fies que já estão sendo pagas, então o orçamento familiar ou empresarial precisa comportar os dois compromissos.
O uso é vinculado à atividade empreendedora: os recursos não podem ser usados livremente para outras finalidades fora desse objetivo.
Vale simular antes de assinar: comparar o valor total de juros ao final do contrato ajuda a decidir se o momento e o valor solicitado fazem sentido para o seu caixa.
Planejamento evita surpresas: ter clareza sobre como o negócio vai gerar receita suficiente para pagar as parcelas, inclusive após o fim da carência, é o que separa um bom uso do crédito de um problema financeiro futuro.
Contar com um contador nesse momento ajuda a decidir o melhor regime tributário para a empresa, organizar o fluxo de caixa e planejar como as parcelas do financiamento vão conviver com as obrigações fiscais do negócio.
Conclusão
O FIES Empreendedor é uma iniciativa que recompensa quem manteve o financiamento estudantil em dia, oferecendo crédito com juros bem mais baixos do que o mercado tradicional. Ele não perdoa nem renegocia a dívida do Fies, mas abre uma porta de entrada real para quem quer abrir ou expandir um negócio.
Com contratação prevista para começar em 10 de agosto de 2026, o momento agora é de planejamento: confirmar a adimplência, organizar um plano de negócio simples e entender exatamente como as parcelas vão caber no orçamento.
Aqui na Agilize Contabibilidade acompanhamos as novidades que impactam quem empreende no Brasil e ajuda você a estruturar sua empresa com o regime tributário certo, organizando as finanças para que o crescimento do negócio não vire dor de cabeça fiscal.
Se você está pensando em abrir um CNPJ, conte com nossos especialistas que fazemos todo o processo para você!

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