ME: o que é, requisitos, impostos e como abrir a sua
O que é ME (Microempresa) é uma dúvida comum para quem está começando a empreender ou para o MEI que precisa expandir seu faturamento e estrutura.
De forma técnica e direta, a Microempresa é um porte empresarial destinado a negócios que faturam até R$ 360 mil por ano, permitindo a contratação de mais funcionários, a inclusão de sócios e a escolha de regimes tributários mais flexíveis do que o modelo de microempreendedor individual.
Você está querendo abrir seu próprio negócio e está na dúvida sobre qual modelo deve priorizar? Continue a leitura, descubra tudo sobre microempresa e veja se é a ideal para o seu cenário.
- O que é uma Microempresa (ME)?
- Impostos ME: quais são e quanto paga?
- Quais são os tipos de sociedade ME?
- Como funciona o faturamento para ME?
- Quantos funcionários uma microempresa pode ter?
- Diferenças entre MEI, ME e EPP
- Como abrir uma microempresa?
- Regimes tributários para ME
- Impactos da Reforma Tributária para microempresa
Principais lições que você vai aprender no texto:
- Nem todo negócio precisa começar como MEI, em muitos casos, abrir uma ME já faz mais sentido pelo limite de faturamento e possibilidade de crescimento.
- A escolha da natureza jurídica e do regime tributário impacta diretamente impostos, segurança patrimonial e burocracia da empresa.
- ME, MEI e EPP possuem diferenças importantes em faturamento, funcionários, obrigações contábeis e estrutura do negócio.
- Abrir uma microempresa exige etapas além do CNPJ, como definição de CNAE, registro na Junta Comercial e obtenção de licenças.
- Com as mudanças da Reforma Tributária, pequenas empresas precisarão acompanhar de perto como ficará a tributação e o aproveitamento de créditos fiscais.
Aproveite a leitura!
O que é uma Microempresa (ME)
Criada para incentivar pequenos empreendedores, a Microempresa (ME) permite que empresários formalizem suas atividades, garantindo direitos e benefícios tributários.
Esse modelo é ideal para quem deseja abrir um negócio próprio sem lidar com a complexidade de estruturas empresariais mais completas.
O principal fator que a define é o faturamento bruto anual, além da limitação na quantidade de sócios e funcionários.
Dessa forma, essa modalidade empresarial é uma escolha estratégica para pequenos negócios que buscam segurança jurídica e redução da carga tributária.
Impostos da ME: quais são e quanto se paga
Criada para incentivar pequenos empreendedores, a Microempresa (ME) permite que empresários formalizem suas atividades, garantindo direitos e benefícios tributários.
Os principais impostos incluem:
| Imposto | O que é | Quando é pago |
| DAS (Documento de Arrecadação do Simples) | Guia unificada de tributos | Mensalmente |
| INSS | Contribuição previdenciária | Mensal |
| IRPJ / CSLL / PIS / Cofins / ICMS / ISS | Inclusos no DAS conforme atividade | Conforme regime e CNAE |
- Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e varia conforme o regime de tributação;
- Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL) e é calculado sobre os lucros líquidos;
- Contribuição Previdenciária Patronal (CPP) e é baseado na folha de pagamento, podendo variar dentro do Simples Nacional, mas fixado em 20% para os outros regimes de tributação;
- Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), um tributo que considera o lucro e varia conforme o regime tributário da empresa. Ele pode ser apurado mensal, trimestral, anualmente ou por evento;
- Programa de integração Social (PIS), considerando 0,65% para o Lucro Presumido e 1,65% para o Lucro Real (relacionado seguro desemprego e do abono);
- Imposto sobre Serviços (ISS), referente ao valor dos serviços da sua empresa e também varia conforme a sua região.
Quais são os tipos de sociedade ME?
Ao abrir uma ME, o empreendedor precisa decidir qual será a natureza jurídica do negócio. Essa escolha é vital porque define a responsabilidade patrimonial, ou seja, se os seus bens pessoais (carro, casa) podem ser usados para pagar dívidas da empresa.
- Sociedade Limitada (LTDA): é o modelo mais comum para quem tem sócios. A responsabilidade de cada um é restrita ao valor de suas quotas, protegendo o patrimônio pessoal em caso de problemas financeiros da empresa.
- Sociedade Limitada Unipessoal (SLU): é a “LTDA de uma pessoa só”. Oferece a mesma proteção jurídica da LTDA, mas sem a necessidade de ter um sócio. É uma evolução natural para o profissional PJ que quer segurança.
- Empresário Individual (EI): aqui, a responsabilidade é ilimitada. Isso significa que o patrimônio da pessoa física e da empresa se misturam, o que traz um risco maior para o empreendedor.
- Sociedade Simples: destinada a atividades de natureza intelectual ou científica (médicos, engenheiros, contadores). Pode ser constituída como “Simples Pura” (onde os sócios respondem ilimitadamente) ou “Simples Limitada”.
Como funciona o faturamento para ME?
O faturamento é um dos critérios essenciais para a classificação de uma empresa como ME. O limite estabelecido pela legislação atual é de R$ 360 mil anuais.
E caso esse valor seja ultrapassado, a empresa é reclassificada como Empresa de Pequeno Porte (EPP), que possui um teto de faturamento maior, entre R$ 360 mil e R$ 4,8 milhões.
Por isso, é importante sempre monitorar a receita ao longo do ano para manter a conformidade com a categoria e usufruir dos benefícios fiscais disponíveis, além de não ser pego com surpresas fiscais ou ilegalidade.
Como sei que me enquadro como uma microempresa?
Não é apenas a vontade de crescer que define o que é ME na prática; existem critérios jurídicos e fiscais rigorosos que determinam se o seu negócio pode ser classificado como uma Microempresa.
O enquadramento é uma etapa estratégica que acontece no momento do registro do contrato social na Junta Comercial ou no Cartório de Registro de Pessoa Jurídica. Para que o empreendedor não cometa erros, é preciso observar se a empresa atende aos três pilares fundamentais exigidos pela Lei Complementar nº 123:
- Limite de faturamento: a receita bruta anual deve ser igual ou inferior a R$ 360 mil. Se a empresa for aberta durante o ano, esse valor deve ser proporcional aos meses de atividade.
- Natureza da atividade: a maioria das atividades comerciais, industriais e de serviços é permitida, mas é preciso verificar se o CNAE escolhido não possui restrições específicas para o porte de ME em determinados regimes tributários.
- Composição societária: uma Microempresa não pode ter outra empresa como sócia (apenas pessoas físicas) e os sócios não podem participar de outras empresas cujos faturamentos somados ultrapassem o limite legal de R$ 4,8 milhões (teto de EPP).
Uma vez verificado que o seu modelo de negócio atende a esses requisitos, o próximo passo deixa de ser conceitual e passa a ser burocrático. Saber que você se enquadra é o sinal verde para iniciar os procedimentos legais de registro, alvarás e licenciamentos.
Quantos funcionários uma microempresa pode ter?
A quantidade de empregados permitida em uma microempresa depende do setor de atuação. No comércio e em serviços, o limite é de nove colaboradores, enquanto na indústria esse número pode chegar a 19.
Essa restrição visa manter o enquadramento da empresa e garantir as vantagens tributárias associadas. Para evitar problemas jurídicos e manter uma gestão eficiente, é recomendável contar com suporte contábil especializado.
Diferenças entre MEI, ME e EPP
Uma dúvida comum entre os empreendedores é sobre qual a melhor modalidade para abrir sua empresa: MEI, microempresa ou empresa de pequeno porte. O principal ponto de diferenciação é a respeito do faturamento, cada um tem suas regras e limites anuais. Entenda a seguir qual é a diferença entre ME, ME e EPP.
MEI
Microempreendedor Individual (MEI) é a categoria empresarial voltada para quem está começando o seu negócio, ou seja, aqueles que estão começando a trabalhar de forma autônoma.
Por exemplo, realizando a prestação de alguns serviços ou com a venda de determinados produtos. E até mesmo para aqueles que estão abrindo pequenas lojas ou outros tipos de comércio.
O mais importante aqui é que a previsão de faturamento desse empreendedor não ultrapasse o valor de R$ 81 mil por ano.
Contudo, além desse limite de faturamento anual, o MEI também precisa atender alguns requisitos para não ser excluído desta modalidade, por isso vale ficar em alerta e entender se faz sentido para o seu tipo de profissão, combinado?
ME
Como já explicamos até aqui, é focada em microempresa, ou seja, é uma opção principalmente quando você é MEI e violou alguns dos requisitos necessários para o MEI, como:
- ultrapassar o faturamento bruto anual de R$81 mil;
- ter mais de 1 funcionário;
- ter participação como sócio ou proprietário em outra empresa.
- incluir mais sócios na empresa.
Lembrando que seu limite anual é de até R$ 360 mil.
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EPP
Se a sua Microempresa começar a crescer e ultrapassar o teto de faturamento de R$ 360 mil, o próximo passo na escada empresarial é tornar-se uma EPP. Este porte é destinado a negócios que faturam entre R$ 360 mil e R$ 4,8 milhões por ano.
Diferente do MEI ou da ME, a EPP exige uma estrutura de gestão muito mais robusta. Para o Lucas (nosso empreendedor), isso significa que, além de poder contratar mais funcionários e escalar a operação, ele terá que lidar com obrigações acessórias mais complexas e um monitoramento rigoroso do fluxo de caixa.
Para facilitar a tua visão estratégica, preparámos uma comparação detalhada entre os portes:
| Critério | MEI | ME (Microempresa) | EPP (Empresa de Pequeno Porte) |
| Limite de faturamento | Até R$ 81 mil/ano | Até R$ 360 mil/ano | De R$ 360 mil a R$ 4,8 milhões/ano |
| Funcionários | Apenas 1 | 9 a 19 (ref. IBGE) | 10 a 99 (ref. IBGE) |
| Sócios | Proibido | Permitido | Permitido |
| Obrigações contábeis | Simplificadas (DASN-SIMEI) | Contabilidade completa (eSocial, SPED, etc.) | Contabilidade completa e compliance rigoroso |
| Emissão de notas | Dispensada para PF | Obrigatória em todas as operações | Obrigatória em todas as operações |
| Burocracia e custos | Baixos (sem taxas de gestão) | Maiores (licenças, taxas e honorários) | Elevados (exige controles financeiros robustos) |
Como abrir uma microempresa?
Diferente do MEI, o processo de abertura de uma ME é mais robusto e exige o acompanhamento obrigatório de um contador.
Para o empreendedor, esse caminho pode parecer complicado, mas quando dividido em etapas lógicas, ele se torna muito mais claro.
Abrir uma microempresa envolve desde definições estratégicas de negócio até registros em órgãos públicos. Confira o passo a passo completo:
- Escolha da natureza jurídica e do CNAE: o primeiro passo é definir como sua empresa será estruturada (SLU, LTDA, EI) e quais atividades ela exercerá. O CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas) é o código que define quais impostos você pagará e quais regras deverá seguir.
- Elaboração do Contrato Social: é a “certidão de nascimento” da empresa. Nele, constam os dados dos sócios (se houver), o capital social investido e as regras de funcionamento do negócio.
- Registro na Junta Comercial ou cartório: com o contrato social em mãos, é preciso registrá-lo na Junta Comercial do estado ou no Cartório de Registro de Pessoa Jurídica. É nesse momento que você obtém o NIRE (Número de Identificação de Registro de Empresa).
- Obtenção do CNPJ: com o registro da empresa concluído, o próximo passo é solicitar o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) junto à Receita Federal, o que hoje é feito de forma integrada em muitos estados.
- Inscrições Estadual e Municipal: se você vai vender mercadorias, precisará da Inscrição Estadual. Se vai prestar serviços, precisará da Inscrição Municipal na prefeitura da sua cidade. Essas inscrições permitem a emissão de notas fiscais.
- Alvarás e licenças de funcionamento: por fim, é necessário obter o alvará de funcionamento e as licenças específicas (como as de Vigilância Sanitária ou Corpo de Bombeiros), dependendo da sua atividade e do local onde a empresa está instalada.
Seguir esse roteiro garante que sua ME nasça de forma regular, evitando multas e interrupções nas atividades logo no início da jornada empreendedora.
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Regimes tributários para ME
A escolha do regime tributário é, talvez, a decisão financeira mais importante que você tomará após entender o que é ME.
Esse regime define não apenas como você pagará seus impostos, mas também a sua margem de lucro e o nível de burocracia contábil que terá de enfrentar. Para as microempresas, existem três caminhos principais:
- Simples Nacional: o favorito da maioria das MEs devido à unificação de até oito impostos em uma única guia mensal, o DAS. É ideal para quem fatura até R$ 4,8 milhões e busca alíquotas reduzidas que crescem conforme o faturamento.
- Lucro Presumido: aqui, a Receita Federal presume que uma parte da sua receita é lucro (geralmente 32% para serviços e 8% para comércio) e tributa sobre essa base. Pode ser vantajoso para MEs com poucas despesas operacionais e margens de lucro reais muito altas.
- Lucro Real: recomendado para empresas com margens de lucro baixas ou que operam com prejuízo, pois os impostos incidem sobre o lucro líquido contábil exato. No entanto, exige um controle contábil extremamente rigoroso e gera uma burocracia maior.
Impacto da Reforma Tributária para a microempresa
A Reforma Tributária representa uma mudança histórica no consumo brasileiro e as microempresas estão no centro desse furacão.
A principal alteração é a criação do IVA Dual, composto pelo IBS (estadual e municipal) e pela CBS (federal), que substituirão tributos antigos como ISS, ICMS, PIS e Cofins.
Para você, que atua como ME, o maior impacto será no sistema de créditos. No novo modelo, o imposto pago em cada etapa da cadeia gera um crédito para a etapa seguinte.
Empresas no Simples Nacional continuarão com seu regime simplificado, mas precisarão avaliar se vale a pena recolher o IVA “por fora” da guia única para permitir que seus clientes PJ aproveitem o crédito integral.
Caso contrário, sua ME pode perder competitividade em vendas B2B (para outras empresas), pois o cliente não conseguirá abater o imposto integralmente.
FAQ: dúvidas comuns sobre ME
1. Qual é o limite de faturamento para ME em 2026?
O limite de faturamento para uma Microempresa (ME) continua sendo de até R$ 360 mil por ano.
Empresas que ultrapassarem esse valor passam a ser classificadas como Empresa de Pequeno Porte (EPP), com limite de até R$ 4,8 milhões anuais.
Caso o faturamento ultrapasse esse teto, será necessário migrar para outro regime tributário, como o Lucro Presumido ou Lucro Real.
2. Como saber se minha empresa é uma ME?
Você pode verificar o enquadramento da sua empresa consultando o CNPJ no site da Receita Federal.
Na consulta de “Situação Cadastral”, é exibida a natureza jurídica e o porte da empresa — ME, EPP ou outro.
Outra forma é conferir o faturamento anual: se for de até R$ 360 mil, a empresa é uma Microempresa.
3. Posso ser microempresa e optar pelo Simples Nacional?
Sim! A maioria das microempresas opta pelo Simples Nacional por conta da tributação simplificada.
Esse regime permite pagar diversos tributos em uma única guia (DAS), reduzindo a burocracia e facilitando a gestão contábil.
Entretanto, é importante analisar com o contador se o Simples é o mais vantajoso, pois atividades específicas podem se beneficiar de outros regimes.
4. É possível abrir ME online?
Sim, é totalmente possível e, hoje em dia, é a opção mais recomendada pela agilidade e economia. Com a digitalização dos órgãos públicos (como a Redesim e as Juntas Comerciais estaduais), quase todo o processo — desde a consulta de viabilidade até a emissão do CNPJ — pode ser feito de forma remota.
Ao optar por uma contabilidade online como a Agilize, você nem precisa sair de casa: basta enviar a documentação digitalizada e nossos especialistas cuidam de toda a burocracia técnica e protocolos junto ao governo.
O uso do Certificado Digital garante a validade jurídica de todas as assinaturas, tornando o processo seguro e muito mais rápido do que o modelo tradicional físico.
5. Quanto custa abrir uma ME?
O custo total para abrir uma Microempresa varia conforme o seu estado e a atividade escolhida, mas geralmente envolve três pilares:
- Taxas governamentais: valores pagos à Junta Comercial (DARE) e taxas municipais de fiscalização e alvará.
- Certificado Digital: essencial para assinar documentos e emitir notas fiscais (obrigatório para MEs).
- Honorários Contábeis: o valor cobrado pelo escritório para realizar todo o processo de legalização.
Embora o investimento inicial seja maior que o do MEI (que é gratuito), a ME oferece uma estrutura que permite faturar muito mais e ter maior segurança jurídica.
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Por fim, se você quer iniciar seu sonho empreendedor, abrir uma microempresa pode ser a solução mais adequada com a sua necessidade.
Lembrando que antes de decidir, entenda se está dentro dos requisitos exigidos para essa modalidade, já citados ao longo do texto, como é o caso do faturamento anual, não podendo ultrapassar os R$ 360 mil por ano.
Outro ponto, mas não menos importante, é escolher quem vai realizar todo esse processo burocrático. Ter ajuda de um contador ou especialista é essencial para que todos os trâmites cumpram as exigências da Lei.
Nesse sentido, a Agilize pode te ajudar. Cuidamos de tudo para você, desde a abertura do seu CNPJ até o dia a dia da sua contabilidade. Além de disponibilizarmos um time de especialistas para tirar dúvidas e resolver qualquer pendência.
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