Despesas operacionais e não operacionais: administre melhor o seu CNPJ

As despesas operacionais e não operacionais são categorias de gastos que, se misturadas, podem mascarar a real rentabilidade do seu trabalho.
Para quem atua como PJ, o “abandono” da organização financeira costuma resultar em impostos mais altos e falta de clareza sobre o lucro líquido ao final do mês.
Entender essa divisão é o primeiro passo para uma gestão profissional e sem sustos. Aproveite o conteúdo!
- O que são despesas operacionais e não operacionais?
- Qual a diferença?
- Qual o impacto das despesas operacionais na contabilidade das empresas?
- Qual a importância de analisar e classificar cada despesa?
- Como separar despesas operacionais e não operacionais?
- Dicas de gestão de despesas do negócio
- Erros comuns a gerenciar despesas de uma empresa
O que você vai aprender neste conteúdo:
- Despesas operacionais são os gastos essenciais para manter o CNPJ funcionando (contabilidade, softwares, marketing, estrutura) e determinam o lucro da operação.
- Despesas não operacionais são eventos financeiros ou extraordinários (juros, multas, perdas em ativos) que não fazem parte da entrega do serviço, mas reduzem o lucro final.
- Misturar as duas categorias distorce o DRE, prejudica a precificação e pode levar a decisões erradas sobre corte de custos ou aumento de honorários.
- Classificar corretamente cada saída de caixa permite identificar se o problema está na eficiência do negócio ou na gestão financeira.
- Organização, plano de contas estruturado e apoio contábil são fundamentais para proteger o fluxo de caixa e garantir um CNPJ realmente lucrativo.
O que são despesas operacionais e não operacionais?
No dia a dia de um CNPJ, nem todo dinheiro que sai da conta serve para a mesma finalidade. A classificação correta separa o que é essencial para o trabalho do que é um evento extraordinário ou financeiro.
Dito isso, confira as principais diferenças entre despesas para fazer uma gestão financeira adequada.
Despesas operacionais
As despesas operacionais são todos os gastos necessários para manter a sua atividade principal funcionando. Sem elas você não consegue prestar o seu serviço ou manter a estrutura mínima do seu negócio ativa.
Exemplos de despesas operacionais
- Mensalidade da contabilidade online;
- Assinaturas de softwares e licenças (SaaS);
- Aluguel de escritório ou coworking;
- Gastos com marketing e prospecção.
Como calcular as despesas operacionais?
Para calcular, some todos os gastos fixos e variáveis ligados diretamente à sua operação em um período (mensal, por exemplo).
A fórmula básica é:
Total de despesas operacionais = gastos administrativos + gastos com vendas + despesas gerais de escritório.
Despesas não operacionais
São gastos que não têm relação direta com o seu objetivo principal de negócio. Elas ocorrem de forma eventual ou são fruto de movimentações financeiras.
Exemplos de despesas não operacionais
- Juros e multas por atraso em contas;
- Prejuízos na venda de algum bem (ex: vender um notebook antigo por valor abaixo do contábil);
- Indenizações judiciais;
- Custos com empréstimos bancários.
Como calcular as despesas não operacionais?
Calcular as despesas não operacionais não exige fórmulas complexas, mas sim um olhar atento ao seu extrato bancário. Separe o que é “custo de estar vivo e trabalhando” do que é “custo de imprevistos ou decisões financeiras”.
Para chegar ao valor total, você deve somar três grupos principais:
- Despesas financeiras líquidas: juros de empréstimos, juros por atraso em contas (como o DAS pago fora do prazo), IOF e taxas de financiamento.
- Perdas de capital: se você vendeu um computador que valia R$ 3.000,00 por apenas R$ 2.000,00 para desapegar rápido, essa diferença de R$ 1.000,00 é uma despesa não operacional.
- Gastos extraordinários: multas de trânsito com o carro da empresa, indenizações judiciais ou qualquer gasto que você tenha certeza de que não se repetirá no mês que vem.
Total de despesas não operacionais = juros + multas + perdas em ativos + gastos extraordinários
Se você olhar para um gasto e perceber que ele “roubou” o seu lucro sem ajudar você a entregar um serviço melhor ou atrair novos clientes, ele deve ser somado aqui.
Qual é a diferença entre despesas operacionais e não operacionais?
A principal diferença entre despesas operacionais e não operacionais está na essencialidade e recorrência do gasto para que o negócio continue existindo.
No dia a dia de um profissional PJ, misturar esses conceitos pode dar a falsa impressão de que a sua hora técnica está ficando cara, quando na verdade o problema pode ser um evento isolado ou financeiro.
Para facilitar a sua visualização, veja este comparativo:
| Critério | Despesas Operacionais | Despesas Não Operacionais |
| Finalidade | Sustentar a atividade principal do negócio. | Gastos periféricos ou extraordinários. |
| Recorrência | Geralmente mensais e previsíveis. | Eventuais, raras ou imprevistas. |
| Impactono corte | Afeta diretamente a entrega do serviço. | Não afeta a operação, mas aumenta o lucro. |
| Focode gestão | Eficiência e produtividade. | Controle financeiro e jurídico. |
| Exemplo prático | Softwares, marketing e contabilidade. | Multas, juros e prejuízos em vendas de bens. |
Qual é o impacto das despesas operacionais na contabilidade das empresas?
As despesas operacionais são as “estrelas” da primeira parte do seu DRE (Demonstração do Resultado do Exercício). Elas definem o seu Lucro Operacional. Esse indicador é o termômetro de viabilidade do seu CNPJ.
Se o seu lucro operacional está baixo, significa que o valor que você cobra pelo seu serviço não está sendo suficiente para cobrir os custos de “estar aberto”. Analisar esse impacto permite que você saiba exatamente qual é o seu ponto de equilíbrio (break-even point), ajudando a definir se é hora de reajustar seus honorários ou trocar de fornecedores.
E das não operacionais?
Estas despesas entram em cena após a apuração do lucro da operação, impactando diretamente o Lucro Líquido Final. O perigo das despesas não operacionais é que elas são “silenciosas”.
Muitas vezes, uma empresa apresenta uma operação excelente (boas vendas e custos operacionais controlados), mas chega ao fim do mês no vermelho porque está “sangrando” dinheiro em juros bancários, parcelamentos de dívidas ou multas por atraso de impostos.
Na contabilidade, esse impacto revela uma falha na gestão financeira e estratégica, e não na qualidade técnica do serviço prestado. É o clássico caso de “trabalhar muito e não ver a cor do dinheiro” devido a ruídos que não fazem parte do seu core business.
Qual a importância de analisar e classificar cada despesa?
Analisar e classificar cada gasto impede que você tome decisões baseadas em números falsos ou em uma percepção emocional do seu caixa.
No dia a dia de um profissional PJ é comum olhar para o saldo bancário e sentir que “o mês foi ruim” porque sobrou pouco dinheiro.
No entanto, sem a classificação correta, você não consegue distinguir se o seu negócio está caro (problema de eficiência operacional) ou se você apenas teve um mês com muitos imprevistos financeiros (problema de gestão não operacional).
Confira os principais motivos de fazer essas análises.
Tomada de decisão baseada em dados
Quando você classifica uma despesa como operacional, está medindo a saúde do seu modelo de negócio. Se esses custos sobem de forma descontrolada, é um sinal de que você precisa rever seus processos ou fornecedores.
Já as despesas não operacionais funcionam como alertas de “ruídos” na gestão: juros por atraso ou multas indicam que a sua organização administrativa falhou, e não que a sua hora técnica ficou menos lucrativa.
Identificação da margem de contribuição
Entender essa separação é fundamental para calcular a margem de contribuição. Ao saber exatamente quanto gasta para manter a operação ativa, você consegue definir com precisão o seu preço de venda.
Sem essa análise, corre-se o risco de aumentar o preço para cobrir gastos que nem deveriam existir (como juros de empréstimos), perdendo competitividade no mercado por um erro de classificação contábil.
Proteção do fluxo de caixa
Classificar despesas te permite antecipar cenários. Gastos operacionais são recorrentes e previsíveis; gastos não operacionais são, por natureza, aleatórios.
Ao analisar esses dados mensalmente, você consegue criar uma reserva de contingência realista. Você para de “apagar incêndios” e passa a entender que uma despesa não operacional alta em um mês não deve ditar o planejamento do ano seguinte, mas sim acender um sinal amarelo sobre a sua disciplina financeira.
Como separar despesas operacionais e não operacionais?
O método mais seguro e profissional para realizar essa distinção é através da estruturação de um plano de contas inteligente dentro do seu sistema de gestão ou planilha financeira.
Essa organização é o que garante que ele não perca horas tentando “adivinhar” a natureza de um gasto na hora de declarar seus impostos.
Para não errar na classificação, você deve aplicar um filtro de essencialidade operacional. Ao lançar qualquer saída de caixa, faça a seguinte pergunta:
“Se eu deixar de pagar este valor hoje, minha capacidade de prestar o serviço é interrompida imediatamente?”
- Se a resposta for SIM: você está diante de uma despesa operacional. (Ex: Internet, software de trabalho, mensalidade do contador).
- Se a resposta for NÃO: é provável que seja uma despesa não operacional. (Ex: Juros de um boleto atrasado, multa de trânsito, a compra de um café para um cliente).
Passo a passo para uma separação eficiente
- Crie categorias de “Pai e Filho”: no seu sistema, agrupe as contas. Debaixo do grupo “Despesas Operacionais”, coloque subcategorias como “Infraestrutura”, “Softwares” e “Marketing”. No grupo “Despesas Não Operacionais”, coloque “Juros/Multas” e “Eventuais”.
- Padronize os lançamentos: não mude o critério no meio do mês. Se decidiu que o seguro do escritório é operacional, mantenha assim para que a comparação mensal (benchmarking) faça sentido.
- Use a regra da “origem do gasto”: se o gasto nasceu de um erro (atraso) ou de uma decisão externa ao serviço (empréstimo), ele é automaticamente não operacional. Se nasceu da necessidade de entregar o que o cliente comprou, é operacional.
Essa separação rigorosa é o que permitirá que você gere relatórios financeiros que realmente reflitam a sua competência profissional, isolando os ruídos financeiros da sua eficiência técnica.
Dicas de gestão de despesas do negócio
Agora que você já sabe os principais tipos de despesas operacionais e não operacionais, além da importância, confira dicas de como fazer um controle financeiro e de despesas na prática.
1. Separe contas pessoais de profissionais
Este é o erro clássico que gera a “confusão patrimonial”. Você deve ter contas bancárias distintas.
Pagar o mercado com o cartão da empresa ou a guia de impostos (DAS) com a conta pessoal dificulta o cálculo do lucro real e pode gerar questionamentos da Receita Federal.
Dica: defina um valor fixo de pró-labore e transfira-o para sua conta física uma vez por mês.
2. Agende seus impostos e obrigações
Multas e juros são despesas não operacionais que não agregam valor e “queimam” o seu lucro.
Você pode usar ferramentas de agenda ou o DDA (Débito Direto Autorizado) do banco para garantir que nenhuma guia passe do prazo.
3. Use a tecnologia para automatizar a classificação
Planilhas manuais são portas abertas para erros de digitação e esquecimentos. Utilize softwares de gestão financeira ou a própria plataforma da sua contabilidade online.
A automação permite que você visualize o seu fluxo de caixa em tempo real, sem precisar gastar horas fechando o mês.
4. Analise o seu ROI (Retorno sobre Investimento) Operacional
Para cada despesa operacional (como uma ferramenta de software nova), pergunte-se: “Isso me economiza tempo ou me ajuda a ganhar mais?”.
Se a resposta for não, é uma despesa candidata ao corte. Trate cada real operacional como um investimento na sua produtividade.
5. Revise seus contratos e assinaturas trimestralmente
Muitas vezes assinamos ferramentas ou serviços que deixamos de usar. O “gasto silencioso” de pequenas assinaturas mensais pode somar um valor considerável ao fim do ano. Faça uma limpa trimestral em tudo o que é recorrente.
6. Crie uma reserva de contingência para despesas não operacionais
Imprevistos acontecem, como um equipamento que quebra ou uma taxa inesperada.
Em vez de recorrer a empréstimos (que geram mais despesas não operacionais com juros), tenha uma reserva equivalente a 3 ou 6 meses das suas despesas operacionais fixas. Isso garante que sua operação nunca pare.
Erros comuns ao gerenciar as despesas de uma empresa
A desorganização financeira é um dos principais motivos que levam empresas saudáveis ao fechamento. Evitar esses erros é garantir que o lucro da sua empresa seja real.
1. Classificar juros como despesa administrativa
Este é o erro mais grave e comum. Quando você coloca os juros de um empréstimo ou de um boleto atrasado na mesma conta do aluguel ou da internet, você “suja” o seu DRE.
Isso impede que você veja a eficiência real da sua hora técnica. Se a sua operação é lucrativa, mas você pagar muitos juros, o problema é financeiro (não operacional), e não no seu preço ou no seu trabalho.
2. Ignorar a depreciação de equipamentos
Um erro clássico é não considerar a desvalorização do seu notebook ou celular como uma despesa operacional. Equipamentos eletrônicos têm vida útil.
Se você não reservar uma parte do seu ganho mensal para a futura troca dessas ferramentas, terá que tirar do lucro lá na frente, o que pode causar um rombo inesperado no caixa.
3. Confusão patrimonial (Misturar PF com PJ)
Entenda que o dinheiro da empresa não é o dinheiro da pessoa física. Pagar a mensalidade da academia ou o mercado com o cartão da PJ cria um caos na classificação das despesas.
Isso impossibilita saber se a empresa é sustentável ou se está apenas servindo de “caixa eletrônico” para despesas pessoais que não deveriam estar ali.
4. Não provisionar despesas sazonais
Muitos empreendedores esquecem de lançar como despesa as provisões para o IPTU anual, renovação de certificados digitais ou anuidades de conselhos de classe (como o CRA).
Quando esses gastos chegam, eles são tratados como sustos não operacionais, quando na verdade deveriam estar planejados como parte da manutenção do negócio.
5. Lançar investimentos como despesas
Comprar um curso de especialização ou um novo servidor é um investimento, e não uma despesa de consumo imediato.
Lançar tudo como despesa reduz artificialmente o seu lucro do mês e distorce a sua visão de crescimento.
Saber diferenciar o que é gasto para “manter a luz acesa” do que é gasto para “crescer” é o que define um administrador de sucesso.
Como a contabilidade online pode ajudar no processo?
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Isso garante que o seu DRE seja gerado com precisão técnica, permitindo que você tenha o controle total do seu CNPJ sem precisar ser um expert em contabilidade.
Você ganha economia, segurança e o suporte de especialistas que entendem a realidade do profissional PJ.
Classificar despesas operacionais e não operacionais não é apenas burocracia, é inteligência de negócio. Manter essa organização com o apoio da Agilize Contabilidade significa ter um CNPJ limpo, lucrativo e pronto para crescer com o melhor custo-benefício do mercado.
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Perguntas frequentes sobre despesas operacionais e não operacionais
Como classificar despesas na contabilidade?
As despesas são classificadas por natureza (aluguel, salários, etc.) e por função (operacional ou não operacional), conforme o impacto que geram no resultado da empresa.
Qual é a diferença entre custo e despesa operacional?
O custo está ligado à produção direta (ex: matéria-prima). A despesa operacional está ligada à manutenção da estrutura que permite a venda ou prestação (ex: marketing, administrativo).
O que são despesas pré-operacionais?
São os gastos realizados antes da empresa começar a faturar, como taxas de abertura de CNPJ, reformas iniciais ou compra de mobiliário.