Impostos da Reforma Tributária: guia completo

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Os impostos da reforma tributária representam a maior mudança no sistema de arrecadação do Brasil nas últimas décadas, introduzindo o modelo de IVA Dual para simplificar a vida de quem empreende.

A reforma tributária substitui cinco tributos principais (PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS) por dois novos impostos: a CBS (federal) e o IBS (estadual e municipal), além de criar o Imposto Seletivo para produtos específicos.

Neste guia completo você entenderá detalhadamente como essa transição impacta sua margem de lucro, quais setores serão mais afetados e o cronograma que sua empresa deve seguir a partir de 2026. Aproveite a leitura!

Pontos-chave deste conteúdo:

  • A Reforma Tributária substitui cinco tributos complexos por um IVA Dual, mudando profundamente a forma de apuração e recolhimento de impostos no Brasil.
  • A não-cumulatividade plena transforma o imposto em um sistema de créditos imediatos, impactando diretamente a precificação e a margem de lucro das empresas.
  • O Split Payment altera o fluxo de caixa ao reter o imposto no momento do pagamento, exigindo planejamento financeiro mais rigoroso a partir de 2026.
  • O impacto da reforma varia por setor, beneficiando cadeias longas como a indústria e pressionando serviços voltados ao consumidor final.
  • A adaptação antecipada, com revisão de preços, controle de créditos e apoio contábil especializado, é decisiva para reduzir riscos e manter competitividade.
  1. Como ficaram os impostos com a Reforma Tributária?
  2. Quais impostos deixarão de existir?
  3. Quais são os novos impostos da Reforma Tributária?
  4. Tabela de impostos da Reforma Tributária
  5. O que muda com a Reforma Tributária: na prática
  6. Quais são os principais impactos?

Como ficaram os impostos com a Reforma Tributária?

Os impostos da reforma tributária foram consolidados no modelo de IVA Dual (Imposto sobre Valor Agregado), que separa a competência federal da estadual/municipal. 

A principal mudança é a migração de um sistema cumulativo e “escondido” para um modelo transparente e baseado em créditos.

Diferente do modelo antigo, em que o imposto era cobrado várias vezes sobre o mesmo produto (cascata), no novo sistema o imposto incide apenas sobre o valor que a sua empresa efetivamente adiciona ao produto ou serviço. 

Além disso, o imposto passa a ser devido no destino (onde o cliente está), e não mais na origem.

O princípio da Não-Cumulatividade Plena

O grande diferencial é que todo imposto pago na compra de insumos gera um crédito imediato para abater o que você deve na venda. Isso inclui energia elétrica, aluguel de máquinas, serviços contratados e mercadorias para revenda.

Exemplo na indústria (cadeia longa)

Imagine uma fábrica de móveis que compra madeira e ferragens.

  • Compra de insumos: a fábrica compra R$ 10.000 em madeira e paga R$ 2.650 de IVA (IBS + CBS). Ela ganha R$ 2.650 de crédito instantâneo.
  • Venda do móvel: a fábrica vende o móvel por R$ 20.000. O imposto sobre a venda seria de R$ 5.300.
  • Cálculo final: ela abate o crédito da compra (R$ 5.300 – R$ 2.650) e paga apenas R$ 2.650 ao governo.

Resultado: o imposto incidiu apenas sobre o valor que a fábrica agregou (o trabalho de transformar madeira em móvel).

Exemplo no setor de serviços (B2B e B2C)

O impacto aqui depende de quem é o seu cliente:

  • Serviço para outra empresa (B2B): se você é um consultor e cobra R$ 5.000, sua empresa paga o IVA, mas a empresa que te contratou recupera 100% desse valor como crédito. Na prática, seu serviço não “encarece” para o cliente empresarial.
  • Serviço para consumidor final (B2C): se você vende diretamente para uma pessoa física (que não gera crédito), o preço final pode subir se você não ajustar sua margem, já que a alíquota nominal de ~26,5% tende a ser maior do que o antigo ISS + PIS/Cofins.

Por que isso é importante para sua gestão?

Entender como os impostos ficaram após a reforma é vital para a sua precificação. Se você ignorar os créditos que tem direito a receber, seu produto ficará mais caro que o da concorrência. 

Por outro lado, se você não prever a alíquota cheia nas vendas para o consumidor final, sua margem de lucro será corroída.

Quais impostos deixarão de existir com a Reforma Tributária?

Com a implementação total da reforma, cinco tributos que geram enorme complexidade burocrática serão extintos. Lembrando que a reforma vai sofrer uma transição de vários anos, começando agora em 2026. Os impostos que deixarão de existir são:

  1. PIS (Federal): atualmente incide sobre a receita bruta das empresas.
  2. Cofins (Federal): contribuição destinada à seguridade social.
  3. IPI (Federal): imposto sobre produtos industrializados (mantém-se apenas para produtos que concorrem com a Zona Franca de Manaus).
  4. ICMS (Estadual): o principal imposto sobre mercadorias, que possui 27 legislações diferentes hoje.
  5. ISS (Municipal): imposto sobre serviços, cobrado por cada uma das mais de 5.500 prefeituras do país.

A extinção destes tributos visa reduzir o “custo Brasil”, eliminando a necessidade de as empresas manterem departamentos gigantescos apenas para calcular guias de diferentes estados e cidades.

Quais são os novos impostos da Reforma Tributária?

Os novos impostos da reforma tributária são divididos entre a esfera federal e a subnacional (estados e municípios), formando o que chamamos de IVA Dual.

CBS: o que é a Contribuição sobre Bens e Serviços?

A CBS é o imposto de competência da União (Federal) que substitui o PIS e a Cofins. Em 2026 começa com uma alíquota simbólica de 0,9%, mas a previsão é que chegue a cerca de 8,8% após o período de transição.

IBS: como funciona o Imposto sobre Bens e Serviços?

O IBS unifica o ICMS e o ISS num único tributo, gerido de forma compartilhada por estados e municípios. Em 2026, o IBS terá uma alíquota de teste de 0,1%, com previsão final de cerca de 17,7%.

IS: para que serve o Imposto Seletivo?

Conhecido como “imposto do pecado”, o IS serve para desestimular o consumo de produtos prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente, como cigarros e bebidas alcoólicas. Pode ter alíquotas muito elevadas, chegando a 250% em casos específicos.

Tabela de impostos da Reforma Tributária (2026)

Confira os dados oficiais sobre a competência e a implementação total de cada novo tributo.

TributoCompetênciaSubstitui quais Impostos?Alíquota Padrão (Final)Implementação Total
IVANacional (IBS + CBS)ICMS, ISS, PIS, Cofins, IPI26,5% a 28%2033
IBSEstadual e MunicipalICMS e ISS17,70%2033
CBSFederalPIS e Cofins8,80%2033
ISFederalIPI (parcialmente)Até 250%2033

O que muda com a Reforma Tributária na prática?

A maior mudança prática para o dono de empresa é a não-cumulatividade plena

Atualmente, muitas empresas pagam impostos sobre o faturamento sem poder abater o que pagaram aos fornecedores. No novo modelo, todo o imposto pago na compra de insumos vira um crédito real e imediato.

Isto protege a sua margem de lucro, uma vez que o imposto incide apenas sobre o valor que efetivamente agregou ao produto ou serviço.

Mudanças por setor: quem paga mais e quem paga menos?

A carga tributária final com os impostos da reforma tributária não será linear. O impacto em cada setor depende diretamente da “extensão” da sua cadeia produtiva e da capacidade de gerar créditos nas compras. 

Setores que tendem a pagar menos ou manter a carga tributária:

  • Indústria de transformação: é a grande vencedora. No modelo antigo, o IPI e o ICMS acumulavam custos que a indústria não conseguia recuperar totalmente. Com o IVA Dual, a indústria terá crédito integral sobre máquinas, energia e insumos, reduzindo o custo de produção e tornando o produto brasileiro mais barato para exportar e vender internamente.
  • Exportadores: o Brasil deixará de “exportar impostos”. Como a reforma desonera completamente as exportações e garante a devolução rápida dos créditos acumulados, as empresas que vendem para o exterior ganharão uma margem de competitividade inédita.

Já os setores que tendem a pagar mais ou devem ficar mais atentos com a reforma envolvem:

  • Setor de serviços (B2C): empresas que prestam serviços diretamente ao consumidor final (como academias, lavanderias ou cursos livres) podem ver a alíquota nominal subir de um patamar de 5% (ISS) + 3,65% (PIS/Cofins) para algo próximo de 26,5%. Como essas empresas têm poucos insumos (o maior gasto é a folha de pagamento, que não gera crédito), o imposto pode encarecer o preço final.
  • Profissionais liberais: advogados, engenheiros e arquitetos terão um regime diferenciado com redução de 30% na alíquota do IVA, mas ainda assim precisarão de um planejamento tributário rigoroso para não perderem margem.

Alguns setores estratégicos terão redução de 60% na alíquota ou isenção total:

  • Educação e saúde: escolas e hospitais pagarão menos para garantir o acesso da população.
  • Cesta básica nacional: produtos essenciais terão alíquota zero de IBS e CBS.
  • Transporte público: também contará com redução de carga para não impactar o custo de vida nas cidades.

Quais são os principais impactos da Reforma Tributária para as empresas?

A reforma não muda apenas o “valor da guia”, mas toda a dinâmica operacional e estratégica do seu negócio. Os impactos mais críticos para a gestão em 2026 são:

Alteração drástica na precificação

O imposto deixa de ser calculado “por dentro” (onde o imposto faz parte do preço) e passa a ser calculado “por fora”.

Por exemplo, se o seu produto custa R$ 100,00 e o IVA é 26,5%, o cliente verá na nota R$ 100,00 + R$ 26,50. Isso exige que você recalcule todas as suas tabelas de preços, separando o que é sua margem real do que é repasse tributário.

O desafio do split payment no fluxo de caixa

Este é o impacto operacional mais forte. Com o Split Payment, o governo retira a parcela do imposto no exato momento em que o cliente paga a sua empresa.

  • Antes: você recebia R$ 1.000,00 e pagava o imposto no mês seguinte, usando esse dinheiro como capital de giro por alguns dias.
  • Agora: você recebe apenas o valor líquido (ex: R$ 735,00) e os R$ 265,00 vão direto para o fisco. Isso exige um planejamento de caixa muito mais apertado para garantir que você tenha dinheiro para pagar salários e fornecedores.

Fim da barreira geográfica (IVA no destino)

Como o imposto agora é devido onde o cliente consome e não onde sua empresa está, a “guerra fiscal” acaba. 

Isso abre portas para você expandir sua operação para qualquer estado sem precisar abrir filiais apenas para “ganhar” incentivo de ICMS. O foco da sua logística e vendas passa a ser a eficiência e não a fuga de impostos.

Gestão de créditos como estratégia de sobrevivência

Em 2026, comprar sem nota fiscal será um prejuízo direto. Como o IVA é não-cumulativo pleno, cada compra feita “formalmente” gera um desconto no seu imposto a pagar. 

Empresas desorganizadas que não controlam seus créditos de compras pagarão muito mais imposto do que concorrentes organizados.

Quando entra em vigor a Reforma Tributária?

A transição começou em janeiro de 2026. É um período de adaptação para que as empresas ajustem os seus softwares e planejamento financeiro. Confira o cronograma oficial de transição:

  • 2026: início da cobrança simbólica (1% total) para teste do sistema.
  • 2027: extinção total do PIS/Cofins e início da CBS plena. IPI reduzido a zero.
  • 2029 a 2032: redução gradual (1/10 por ano) do ICMS e do ISS.
  • 2033: o novo sistema de IVA Dual passa a ser o único vigente.

Dúvidas frequentes sobre os impostos da Reforma

Confira a seguir uma resposta rápida e direta para as principais dúvidas sobre os novos impostos da Reforma Tributária.

Quais impostos o IVA vai substituir?

O IVA Dual substituirá cinco tributos: PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS.

A Reforma Tributária vai aumentar os impostos?

Não necessariamente. O objetivo é a neutralidade. Setores com cadeias longas (indústria) devem pagar menos, enquanto setores de serviços diretos podem ter um aumento na alíquota nominal.

Quando a CBS e o IBS entram em vigor na prática?

A transição começa em 2026, com alíquotas simbólicas para teste do sistema. A aplicação plena da CBS e do IBS acontece de forma gradual, com convivência dos impostos antigos até 2033, quando o novo modelo passa a ser exclusivo.

Como fica o Simples Nacional com a Reforma Tributária?

O Simples Nacional será mantido durante todo o período de transição. Empresas optantes continuarão recolhendo tributos pela guia única (DAS). No entanto, haverá discussões sobre crédito tributário nas operações com empresas fora do Simples, o que pode exigir mais atenção na precificação.

O MEI será impactado pelas novas regras?

O MEI não sofre impacto direto no curto prazo. O regime permanece com regras próprias, valores fixos mensais e simplicidade operacional. Mudanças mais profundas só devem ser discutidas após a consolidação total do IVA Dual.

O que muda nas notas fiscais com a CBS e o IBS?

As notas fiscais passam a trazer os impostos calculados “por fora”, de forma transparente. O valor do produto ou serviço aparece separado do valor da CBS e do IBS, facilitando a visualização do imposto pago e a geração de créditos para quem compra.

Como ficam os benefícios fiscais estaduais?

Os incentivos fiscais de ICMS entram em processo de extinção gradual. A chamada “guerra fiscal” deixa de existir, já que o imposto passa a ser cobrado no destino. Alguns benefícios serão compensados por fundos de desenvolvimento regional durante a transição.

Haverá mudanças na substituição tributária?

Sim. A substituição tributária tende a perder relevância com o modelo de IVA não cumulativo pleno, já que o imposto será recolhido de forma mais direta, com crédito financeiro imediato em cada etapa da cadeia.

Como a Reforma Tributária impacta quem vende para o consumidor final?

Empresas que vendem para pessoa física (B2C) podem sentir mais impacto, especialmente no setor de serviços. Como o consumidor final não gera crédito, a alíquota cheia do IVA pode pressionar preços e margens, exigindo revisão de precificação e estratégia comercial.

Como a Agilize ajuda sua empresa na transição tributária?

Os novos impostos da reforma tributária trazem um cenário de modernização necessário. O segredo para 2026 será o planejamento: rever margens e contar com uma contabilidade tecnológica que domine as novas regras.

Como a primeira contabilidade online do Brasil, a Agilize já está preparada para automatizar o cálculo da CBS e do IBS. Oferecemos suporte consultivo para que entenda como o novo fluxo de caixa afetará o seu negócio e como ajustar a sua rentabilidade.

Com a Agilize, a transição para os impostos da reforma tributária torna-se uma oportunidade de gestão eficiente.

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