Nota fiscal eletrônica para desenvolvedor PJ: passo a passo

Nota fiscal eletrônica para desenvolvedor PJ: passo a passo

Conteúdo

Escrito por: Rafael Caribé, CEO, Agilize

Principais lições deste artigo

  • Desenvolvedores PJ no Simples Nacional precisam de CNPJ ativo, inscrição municipal e certificado digital A1 para emitir NFS-e.

  • O Fator R determina se a empresa é tributada pelo Anexo III (alíquota inicial de 6%) ou Anexo V (alíquota inicial de 15,5%). Quando a razão entre folha de pagamento e receita bruta dos últimos 12 meses atinge 28% ou mais, aplica-se o Anexo III. Abaixo disso, o Anexo V.

  • A partir de setembro de 2026, ME e EPP são obrigadas a usar o Emissor Nacional da NFS-e, conforme Resolução CGSN nº 189/2026.

  • A contabilidade é obrigatória por lei para ME e EPP, incluindo apuração de impostos, Fator R e obrigações mensais.

  • Para não precisar fazer isso sozinho, conte com o suporte especializado da Agilize Contabilidade: fale com um especialista agora.

Pré-requisitos e visão geral

Emitir a primeira NFS-e exige que quatro pontos estejam resolvidos:

  • CNPJ ativo como ME ou EPP no Simples Nacional

  • Inscrição municipal, também chamada de cadastro mobiliário, na prefeitura do município onde a empresa está registrada

  • Certificado digital e-CNPJ A1 válido

  • Contador responsável pela escrituração contábil

O fluxo geral segue uma ordem clara: abrir o CNPJ, obter a inscrição municipal, emitir o certificado digital, se credenciar no Emissor Nacional da NFS-e, emitir notas e cumprir as obrigações mensais. Cada etapa depende da anterior.

Veja como funciona o painel de controle da Agilize: um dashboard completo para acompanhar finanças, notas fiscais, impostos e pendências da sua empresa em tempo real.
Painel de controle da Agilize com visão geral financeira, notas fiscais, pendências e atalhos contábeis.

ME e EPP têm obrigação legal de manter escrituração contábil regular. Isso torna a atuação de um contador obrigatória, não opcional. A Agilize Contabilidade cuida de toda essa rotina contábil para que você foque apenas no código.

Fale com um especialista sobre abertura de CNPJ.

Tutorial passo a passo

Passo 1: abrir o CNPJ e escolher o regime tributário

O primeiro passo é formalizar a empresa. Desenvolvedores de software exercem atividade de natureza intelectual e técnica, o que impede o enquadramento como MEI. A abertura deve ser feita como ME, com faturamento anual até R$ 360 mil, ou como EPP, com faturamento até R$ 4,8 milhões. Para entender se o seu perfil pode ser MEI, consulte os critérios antes de qualquer decisão.

O Simples Nacional costuma ser vantajoso para desenvolvedores PJ nesse porte, porque reúne vários tributos em um único DAS. Dentro desse regime, a escolha do CNAE correto é determinante, pois define o anexo de tributação e influencia diretamente o cálculo do Fator R. Como essa escolha impacta quanto imposto você pagará, a Agilize Contabilidade orienta na definição do CNAE e do regime desde a abertura, com isenção de honorários na abertura de CNPJ para quem assina o plano anual.

Passo 2: obter a inscrição municipal

Ter a inscrição municipal ativa permite emitir NFS-e no município onde a empresa está sediada. Esse cadastro, também chamado de cadastro mobiliário ou CCM, é feito na prefeitura e é obrigatório para prestadores de serviço.

O processo varia por cidade. Em algumas prefeituras ocorre de forma totalmente online. Em outras, exige envio de documentos ou atendimento presencial. Em geral, a prefeitura solicita contrato social ou requerimento de empresário, comprovante de endereço da sede, CNPJ ativo e documento de identidade dos sócios. Após o credenciamento, a prefeitura libera o número de inscrição municipal que será usado na configuração do emissor de notas.

Passo 3: emitir o certificado digital

Ter o certificado digital e-CNPJ A1 garante a identidade eletrônica da empresa. Esse certificado assina digitalmente as NFS-e e dá validade jurídica às notas. A emissão de NFS-e via Portal Nacional pode exigir o e-CNPJ modelo A1, no formato .pfx ou .p12. O certificado A1 fica armazenado em arquivo e permite automatizar a emissão sem uso de token físico a cada nota.

A Agilize Contabilidade inclui o certificado digital e-CNPJ A1 em seus planos e cuida de todo o processo de solicitação, emissão e instalação.

Saiba como obter seu certificado digital.

Passo 4: emitir a NFS-e pelo Emissor Nacional

Conforme mencionado anteriormente, a Resolução CGSN nº 189/2026 estabelece que, a partir de 1º de setembro de 2026, ME e EPP no Simples Nacional devem emitir NFS-e obrigatoriamente pelo Emissor Nacional, acessível em emissor.nfse.gov.br ou por API integrada ao ERP. O acesso exige CNPJ ativo, inscrição municipal e, na maioria dos casos, o certificado digital A1.

Para emitir manualmente pelo portal, siga esta sequência:

  1. Acessar emissor.nfse.gov.br com o certificado digital A1 ou com CNPJ e senha

  2. Cadastrar os dados da empresa, como CNPJ, e-mail e inscrição municipal

  3. Preencher os dados do tomador do serviço, ou seja, o cliente

  4. Informar o código nacional de serviço, com 8 dígitos, correspondente à atividade prestada

  5. Informar o valor do serviço e o regime tributário, no caso, Simples Nacional

  6. Assinar e transmitir a nota

A NFS-e emitida pelo Emissor Nacional tem validade em todo o território nacional e serve como documento suficiente para fundamentar o crédito tributário.

Consulte notas fiscais emitidas na Agilize, com detalhes de valores, impostos, clientes e status de emissão, tudo integrado à sua contabilidade.
Tela de consulta de notas fiscais da Agilize com valores, impostos e status de emissão.

Passo 5: cumprir as obrigações mensais e monitorar o Fator R

Manter a rotina em dia após a emissão da nota evita problemas futuros. Após cada competência, as obrigações mensais seguem uma sequência coordenada.

Primeiro, você envia as informações contábeis ao contador até o dia 10 do mês seguinte. Esse envio permite que o contador faça a apuração e o pagamento do DAS, que inclui ISS, IRPJ, CSLL, Cofins, PIS e CPP. Em paralelo, ocorre o recolhimento do INSS sobre o pró-labore via DCTFWeb, com vencimento geralmente até o dia 20 do mês seguinte. Durante todo o mês, a atualização do livro-caixa com todas as entradas e saídas garante que as informações enviadas ao contador estejam corretas.

Gestão financeira empresarial com a Agilize: acompanhe contas bancárias, fluxo de caixa, valores a pagar e a receber em uma única plataforma.
Tela financeira da Agilize com contas bancárias, saldos, valores a receber e contas a pagar.

O Fator R é recalculado mensalmente com base na folha de pagamento acumulada dos últimos 12 meses dividida pela receita bruta acumulada no mesmo período. Como visto anteriormente, atingir o limiar de 28% define qual anexo será aplicado naquela competência. Ajustar o pró-labore para atingir esse limiar é uma estratégia legal comum entre desenvolvedores PJ.

Controle seus impostos com a Agilize: acompanhe DAS, INSS, IRRF, vencimentos, pendências fiscais e comprovantes de pagamento em um só lugar.
Painel de impostos da Agilize com DAS, INSS, IRRF e status de pagamento.

A Agilize Contabilidade realiza o cálculo do Fator R automaticamente e garante que sua empresa sempre pague a alíquota correta.

Como saber se deu certo?

Com todas essas etapas em andamento, você precisa confirmar se o processo está funcionando corretamente. Alguns indicadores mostram que a rotina está em ordem:

  • NFS-e emitidas com número de série válido e status “autorizada” no Emissor Nacional

  • DAS gerado e pago dentro do prazo todos os meses

  • Inscrição municipal ativa e sem pendências na prefeitura

  • Certificado digital dentro da validade

  • Escrituração contábil atualizada e declarações acessórias entregues nos prazos

  • Fator R calculado corretamente a cada competência

Quando algum desses pontos fica em aberto, o risco de multas e irregularidades aumenta. O descumprimento de obrigações mensais pode resultar em multa de 75% sobre o imposto não pago, juros SELIC mais 1% ao mês e até cancelamento do Simples Nacional com efeito retroativo.

Dicas avançadas e próximos passos

API vs. emissão manual: usar integração via API com o Emissor Nacional facilita a rotina de quem emite muitas notas. A NFS-e pode ser gerada pelo portal do contribuinte ou por software ERP com integração via API com a SEFIN Nacional. Em qualquer cenário, a responsabilidade contábil sobre as notas emitidas continua com o contador.

Reforma Tributária em 2026: além de escolher o método de emissão, desenvolvedores PJ precisam acompanhar as mudanças regulatórias que afetam o processo. A Reforma Tributária no Simples Nacional traz tratamento diferenciado para ME e EPP. A Nota Técnica nº 009/2026 atualizou o layout da NFS-e para implementar os novos tributos IBS e CBS previstos na Lei Complementar nº 214/2025, o que introduziu novos campos no documento fiscal. As alíquotas do DAS permanecem iguais em 2026, mas os sistemas de emissão precisam estar adaptados ao novo layout. A partir de janeiro de 2026, qualquer atraso no PGDAS-D, mesmo de um dia, já gera multa automática.

Manter a contabilidade em dia garante o cálculo correto do Fator R, a entrega das declarações no prazo e a regularidade do CNPJ para fechar contratos.

Comece a emitir NFS-e com suporte especializado.

FAQ

Desenvolvedor de software pode ser MEI?

Não. O desenvolvimento de software é uma atividade de natureza intelectual e técnica, vedada ao MEI. O enquadramento correto é como ME, com faturamento anual até R$ 360 mil, ou como EPP, com faturamento até R$ 4,8 milhões, com contabilidade obrigatória desde o início das atividades.

O que é o Fator R e como ele afeta o imposto do desenvolvedor PJ?

O Fator R é a razão entre a folha de pagamento acumulada dos últimos 12 meses, incluindo pró-labore dos sócios, e a receita bruta acumulada no mesmo período. Para desenvolvedores no Simples Nacional, quando esse índice atinge 28% ou mais, a empresa é tributada pelo Anexo III, com alíquota inicial de 6%. Abaixo de 28%, a tributação ocorre pelo Anexo V, com alíquota inicial de 15,5%. O Fator R é recalculado automaticamente todo mês e define o anexo aplicável àquela competência. Esse resultado vem do cálculo contábil, não de uma escolha do empresário.

Preciso de inscrição municipal para emitir NFS-e?

Sim. A inscrição municipal ativa é obrigatória para emissão de NFS-e, exceto em casos específicos, como para MEI em municípios que dispensam esse cadastro. A inscrição é obtida junto à prefeitura do município onde a empresa está registrada. Sem esse registro, não é possível credenciar a empresa no Emissor Nacional nem emitir notas fiscais de serviço com validade legal.

A contabilidade é obrigatória para ME e EPP?

Sim. ME e EPP têm obrigação legal de manter escrituração contábil regular, conforme a legislação empresarial. Na prática, isso significa que o contador é responsável pela apuração de impostos, entrega de declarações, controle do Fator R e cumprimento das obrigações acessórias. A Agilize Contabilidade cuida de toda essa rotina contábil. O foco da empresa é contabilidade, não a gestão financeira completa do seu negócio.

O que muda na emissão de NFS-e em 2026?

A partir de 1º de setembro de 2026, ME e EPP optantes pelo Simples Nacional são obrigadas a emitir NFS-e exclusivamente pelo Emissor Nacional, conforme a Resolução CGSN nº 189/2026. Além disso, o layout da NFS-e foi atualizado pela Nota Técnica nº 009/2026 para incluir campos relacionados aos novos tributos IBS e CBS da Reforma Tributária. Os sistemas de emissão precisam estar adaptados a essas especificações. O DAS continua sendo calculado normalmente, mas qualquer atraso no PGDAS-D a partir de janeiro de 2026 já gera multa automática.

Conclusão

Emitir NFS-e como desenvolvedor PJ no Simples Nacional exige seguir etapas bem definidas: ter CNPJ ativo como ME ou EPP, obter a inscrição municipal, emitir o certificado digital, se credenciar no Emissor Nacional e cumprir as obrigações mensais. O Fator R define se a empresa paga pelo Anexo III ou Anexo V e pode gerar diferença relevante no valor de imposto ao longo do ano.

Com as mudanças de 2026, que incluem a obrigatoriedade do Emissor Nacional e as atualizações de layout da NFS-e pela Reforma Tributária, manter a contabilidade em dia se tornou ainda mais crítico. Para ME e EPP, a escrituração contábil é obrigatória por lei. Ter um parceiro especializado ajuda a não perder prazos, não pagar impostos a mais e manter o CNPJ regular.

A Agilize Contabilidade cuida de toda a rotina contábil da sua empresa: apuração de impostos, Fator R automático, emissão e importação de notas fiscais, declarações e outras obrigações. Assim, você foca no que realmente importa: escrever código e crescer o seu negócio.

Comece a emitir NFS-e com suporte especializado.